A escalada de tensão e a guerra no Médio Oriente tiveram um impacto direto no calendário da Fórmula 1, levando ao cancelamento das provas previstas para o Barém e para a Arábia Saudita, que deveriam realizar-se a 12 e 19 de abril, respetivamente.
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| Foto: Jonathan Borba |
A decisão surge num momento em que os navios responsáveis pelo transporte do material logístico para a região nem sequer chegaram a largar, criando um impasse que deverá reduzir o Mundial de 2026 para um total de 22 corridas. Apesar do rombo financeiro superior a 100 milhões de euros em taxas de organização, este intervalo forçado de cinco semanas — entre o GP do Japão e o de Miami — poderá ser visto como uma oportunidade "caída do céu" para as equipas resolverem as graves falhas dos novos motores híbridos, que têm sido alvo de intensos protestos.
Enquanto os bastidores se agitam com os cancelamentos, na pista, o Grande Prémio da China tem sido dominado pela Mercedes. George Russell e o jovem Kimi Antonelli brilharam na qualificação para a corrida sprint, deixando a concorrência direta da Ferrari e da McLaren em alerta. Em sentido oposto, a Red Bull vive dias difíceis: Max Verstappen não foi além do oitavo lugar na grelha, terminando a uma distância considerável dos líderes. O desaire levou a equipa de Milton Keynes a pedir desculpa ao campeão neerlandês pelo rendimento do monolugar, que o próprio descreveu como carente de aderência e equilíbrio.
As dificuldades sentidas por Verstappen são partilhadas por outras equipas como a Cadillac, a Aston Martin e a Williams, cujos tempos por volta chegaram a ser cinco segundos mais lentos do que os da frente. Este cenário reforçou o coro de críticas às novas regulamentações técnicas, com vários pilotos a pedirem mudanças urgentes nas regras dos motores. Embora tenham circulado nomes de circuitos alternativos para preencher as vagas deixadas pelo Barém e pela Arábia Saudita — como Portimão, Imola ou Istambul —, a escassez de tempo para organizar tais eventos torna o cenário improvável, restando à Federação Internacional do Automóvel (FIA) gerir esta pausa inesperada no campeonato.


