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06/09/2021

"Não vejo outro caminho..."

Depois de ter construído um campeão europeu à base da consistência defensiva, Fernando Santos impacienta-se com os nove golos sofridos nos últimos cinco jogos, quatro deles com a Alemanha.


  Portugal prepara-se para reencontrar, na terça-feira, o Azerbaijão, adversário que venceu, com um autogolo (1-0) no início do apuramento para o Mundial do Catar e que acaba de conquistar o primeiro ponto frente à República da Irlanda (1-1), que teve de sofrer muito para evitar a derrota. Uma circunstância que dá ainda mais força às palavras do selecionador nacional, que após a vitória de anteontem no ensaio com o Catar assumiu a preocupação com a permeabilidade da defesa.

As contas do treinador que, em 2016, levou Portugal à conquista do título europeu à boleia da superior capacidade para não perder jogos - a certa altura, os adeptos divertiam-se a antecipar um caminho "de empate em empate, até à vitória final" - fazem-se a partir dos últimos cinco jogos, com nove golos sofridos, em contraste com a meia dúzia de partidas sem perder, e quatro delas sem sofrer, que precedeu esta série. A matemática não mente e a ninguém passaria pela cabeça questionar o rigor reclamado por Fernando Santos, embora o contexto ajude a explicar alguma coisa.

A série a sofrer começou no 4-2 com a Alemanha, no Europeu: prosseguiu no 2-2 com a França e na derrota com a Bélgica (1-0); depois, Portugal sofreu, mas venceu a Irlanda (2-1) e o particular com o Catar. Atualmente, reparte com a Sérvia a liderança do Grupo A no apuramento para o Mundial"2022, onde surge como a seleção menos batida. Nada que diminua a frustração do selecionador, compreensível aos olhos também muito experientes de Jesualdo Ferreira. Os golos de bola parada, por exemplo, são uma dor de cabeça que exigirá uma excepcional capacidade de sacrifício dos jogadores.

"Sabemos como nas seleções é cada vez mais difícil arranjar tempo para treinar, e mais ainde situações específicas, mas não vejo outro caminho que não seja trabalhar, trabalhar, trabalhar muito essas situações", referiu o treinador a O JOGO." Aliás, Fernando Santos ainda no sábado disse que treinou situações de bola parada na manhã de jogo, algo que não é habitual e que reflete a sua preocupação. Mesmo assim, sofreu um golo de canto, por acaso marcado por um jogador que conheço bem, uma vez que o tive como titular no All Sadd durante quatro anos", recordou. Ora, no atual calendário, pouco mais se pode fazer do que viajar, treinar e jogar.

"O que um treinador tem de fazer, para além do trabalho é, eventualmente, mudar o sistema defensivo - zona ou homem a homem -, adaptado aos jogadores que tem. Não pode fazer muito mais do que isso. E depois, claro, tudo isso requer muita concentração dos jogadores", rematou. Com ou sem mudança dos sistemas, os protagonistas vão mudar, em Baku.

 

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