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17/07/2021

Sporting reage às declarações de "extrema gravidade" de Eduardo Cabrita: "É lamentável o profundo desconhecimento que revela"

O clube de Alvalade explicou o processo por trás do planeamento dos festejos e as respostas que deu a IGAI.


 O Sporting considerou que as declarações de Eduardo Cabrita, Ministro da Administração Interna, sobre a ausência de respostas do clube ao IGAI são de "extrema gravidade", considerando " lamentável o profundo desconhecimento que o ministro revela dos factos sucedidos que resultaram na transmissão à esfera publica de informações que, em nada, correspondem ao realmente sucedido".

O clube de Alvalade começa por realçar que a proposta inicial dos festejos do título não surge da parte do clube.

"Que não exista nenhuma dúvida, o plano executado na celebração do título, foi resultado de uma proposta discutida, aceite e planeada por todas as partes, sendo que inclusive a proposta original não surge por parte do Sporting CP", escrevem, antes de explicar, ponto por ponto, a sua versão do planeamento dos festejos.

O início da preparação

O Sporting revela que "de forma proactiva" entrou em contacto com o Ministério da Saúde, que sugeriu que o clube entrasse em contacto com o Ministério da Administração Interna (MAI). O clube realça ainda que ao longo de três semanas, "tentou sensibilizar o governo para a eventualidade da conquista e consequente comemoração espontânea popular".

A limitação dos festejos no Estádio José Alvalade, explica o Sporting, foi avaliada na reunião de 7 de maio - quatro dias antes do jogo do título - mas que a mesma sugestão não foi aceite por nenhuma das entidades na reunião - MAI, Ministério da Saúde, Comando Metropolitano de Lisboa, Direcção Nacional da PSP, Direcção-Geral de Saúde e Câmara Municipal de Lisboa - uma vez que "era contrária à posição e indicações, quer governamentais quer das autoridades sanitárias, relativamente à presença de público nas bancadas".

"(...) Também porque foi considerada que ela oferecia condições de segurança, das pessoas envolvidas e da capacidade de controle, de maior dificuldade e com risco de provocação de desordem", acrescentam.

O Sporting dá ainda mais duas razões para que os festejos no estádio não tivessem merecido aprovação: a impossibilidade de conter os festejos a um só local da cidade, sabendo a preferência dos adeptos pelo Marquês de Pombal "local reconhecido publicamente e historicamente como referência das celebrações Leoninas" e evitar a concentração de multidões num só local.

Os leões realçam que no final de três horas e meia de reunião e com um impasse em cima da mesa, recordou que há três semanas que andavam a pedir indicações sobre a forma como deveriam ser realizados os festejos e que só no sábado, dia 8 - três dias antes do jogo do título - recebeu autorização do MAI para iniciar a preparação do cortejo dos jogadores, iniciando-se só aí os contactos entre Sporting, câmara de Lisboa e PSP.

Sobre o cortejo, o Sporting explica que a ideia de realizar um circuito pela cidade surge de outra entidade que não o clube, sem revelar qual, mas que a ideia foi aceite "unanimemente" por todas as entidades.

Sobre os ecrãs gigantes fora de Alvalade, o Sporting esclarece que o iniciativa "não teve qualquer participação do clube, a qualquer nível".

A resposta ao IGAI

O Sporting processe depois à refutação das acusações realizadas por Eduardo Cabrita, de que o clube não teria respondida à Inspecção-Geral da Administração Interna (IGAI), explicando que o clube participou de forma colaborativa nas reuniões, considerando por isso "lamentável" que o Ministro da Administração Interna " afirme que o Sporting CP não respondeu a qualquer pedido de esclarecimento feito pela IGAI. É lamentável e não corresponde à verdade".

Os leões explicam que receberam um ofício do IGAI a 21 de maio, sem indicação de um prazo de resposta, que aconteceu a 9 de Julho.

Antes da resposta do clube, o Oficial de Ligação aos Adeptos foi contactado pela IGAI a 1 de Junho, tendo respondido, após insistência da IGAI, a 14 de Junho. A 17 de Junho, foi o Director de Segurança do clube que prestou declarações a três inspectores durante duas horas.

"O relatório da IGAI deu entrada no MAI no dia 12 de Julho, que era a data apontada na própria comunicação social, para o encerramento do inquérito, não fazendo nota destas respostas do Clube. Ou seja, não só o Sporting CP prestou informação directamente, como o fez através do seu Director de Segurança e do seu OLA", acrescentam.

O clube termina frisando que está na posse de toda a informação que prova este esclarecimento, não aceitando que " falta de conhecimento possa sobrepor-se à verdade dos factos muito menos tendo em conta a responsabilidade inerente ao cargo de quem as profere, e em quem todos os cidadãos portugueses depositam a maior confiança e rigor".

As acusações de Eduardo Cabrita

O ministro da Administração Interna afirmou que o Sporting “não respondeu” aos pedidos de esclarecimento da Inspecção-Geral da Administração Interna (IGAI), no âmbito do inquérito sobre a actuação da PSP nos festejos de campeão nacional de futebol.

“O Sporting Clube de Portugal não respondeu a qualquer dos pedidos de esclarecimento feitos pela IGAI”, assegurou Eduardo Cabrita, em conferência de imprensa de apresentação do relatório da IGAI sobre a actuação da PSP nos festejos do Sporting como campeão nacional de futebol, em maio.

Segundo o ministro, no âmbito deste inquérito à actuação da PSP, foram feitas diligências junto de um “número muito variado de instituições” e “todas responderam e colaboraram com a Inspecção-Geral”, com excepção do clube campeão nacional.

“Sendo objecto do inquérito a actuação da PSP nas celebrações do Sporting regista-se a ausência de cooperação por parte do Sporting Clube de Portugal às solicitações feitas pela IGAI", precisou Eduardo Cabrita.

A IGAI faz estes pedidos no âmbito de competências próprias estabelecidas na sua lei orgânica, que estabelece o “poder de se dirigir a entidades públicas e privadas no âmbito do cumprimento do seu mandato”, adiantou ainda Eduardo Cabrita.

“Recairia já sobre o Sporting esta obrigação" enquanto instituição de utilidade pública, estatuto que determina uma “obrigação especial de cooperação”, referiu o ministro, ao adiantar que o relatório será enviado ao ministro da Educação, que tutela da área do Desporto.

Também presente na conferência de imprensa, a inspectora-geral da Administração Interna, Anabela Cabral Ferreira deu conta da “complexidade do processo” e do número de entidades envolvidas, designadamente a Polícia de Segurança Pública, Câmara Municipal de Lisboa, Sporting Clube de Portugal, Sporting SAD, Autoridade para a Prevenção e Combate à Violência no Desporto, Direcção-Geral da Saúde, Procuradoria-Geral da República, Departamentos de Investigação e Acção Pena de Lisboa e hospitais de Santa Maria e são José.

Como exemplo, referiu que à PSP foram pedidos e fornecidos 17 conjuntos de documentos e à Câmara Municipal de Lisboa cinco conjuntos de documentos.

“Ao Sporting Clube de Portugal e ao Sporting SAD foram solicitados sete conjuntos de documentos, mas não obtivemos respostas e entendemos que a falta de resposta não podia daí decorrer prolongar mais inquérito para além do prazo fixado de 60 dias”, disse a inspectora-geral.

O ministro explicou ainda que o processo de inquérito determinado à IGAI visava “o apuramento da intervenção da PSP no quadro das celebrações promovidas pelo Sporting”, esclarecendo que a IGAI não tem competências sobre um clube desportivo, actuação das autarquias locais e sanitárias ou epidemiológica.

“Quero saudar o trabalho realizado pela IGAI numa matéria complexa, de grande atenção por parte da opinião pública e realizado num tempo muito limitado” afirmou, indicando que este processo de inquérito teve natureza urgente e foi realizado por três inspectores da Inspecção.

Na segunda-feira, o Ministério da Administração Interna recebeu o relatório da Inspector-geral da Administração Interna (IGAI) sobre a actuação da PSP nos festejos do Sporting como campeão nacional de futebol.

O inquérito da IGAI, que tem como missão assegurar as funções de auditoria, inspecção e fiscalização de todas as entidades, serviços e organismos tutelados pelo MAI, visou a actuação da Polícia de Segurança Pública nos festejos.

O Sporting sagrou-se a 11 de maio campeão português de futebol pela 19.ª vez, 19 anos após a última conquista, e durante os festejos ocorreram confrontos entre os adeptos e a polícia.

Milhares de pessoas concentram-se junto ao estádio e em algumas ruas de Lisboa, quebrando as regras da situação de calamidade devido à pandemia de covid-19, em que não são permitidas mais de 10 pessoas na via pública, nem o consumo de bebidas alcoólicas na rua.

A maioria dos adeptos não cumpriu também com as regras de saúde pública ao não respeitar o distanciamento social, nem o uso obrigatório de máscara.

Na altura, a PSP referiu, em comunicado, que os festejos dos adeptos do Sporting em alguns locais de Lisboa resultaram em "alterações relevantes da ordem pública” e que foi necessário reforçar o dispositivo policial para “restabelecer a ordem e tranquilidades públicas” e “conter as desordens”, que consistiram “no arremesso, na direcção dos polícias, de diversos objectos perigosos, incluindo garrafas de vidro, pedras e artefactos pirotécnico, que também atingiram outros cidadãos”.

A PSP alegou ter usado a força pública, incluindo o disparo de balas de borracha, para fazer face aos comportamentos "desordeiros e hostis por parte de alguns adeptos”.

A PSP deteve três pessoas, identificou outras 30 e apreendeu 63 engenhos pirotécnico.

O Comunicado do Sporting na Integra

"O Sporting Clube de Portugal considera que as declarações assumidas hoje pelo ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, relativamente às comemorações do 23.º título de Campeão Nacional de Futebol, no passado mês de Maio, são de extrema gravidade. Não concebendo o Sporting Clube de Portugal qualquer possibilidade alternativa de tentativa de desvio de atenção ou responsabilidade sobre este, ou qualquer outro, tema da actualidade, é lamentável o profundo desconhecimento que o ministro revela dos factos sucedidos que resultaram na transmissão à esfera publica de informações que, em nada, correspondem ao realmente sucedido.

Que não exista nenhuma dúvida, o plano executado na celebração do título, foi resultado de uma proposta discutida, aceite e planeada por todas as partes, sendo que inclusive a proposta original não surge por parte do Sporting CP.

Esclarece assim o Sporting CP, em defesa da veracidade dos factos, e de todas as instituições envolvidas o seguinte:

1.       Atempadamente e de forma pro-activa o Sporting CP contactou numa primeira fase o Ministério da Saúde. Logo depois, por sugestão do primeiro, o Ministério da Administração Interna. Durante três semanas, o Sporting CP tentou sensibilizar o governo para a eventualidade da conquista e consequente comemoração espontânea popular.

2.       Assim que foi possível por parte do Ministério da Administração da Interna, o Sporting CP prontificou-se a estar presente em reunião com as autoridades competentes. Em reunião presencial no Ministério da Administração, onde estiveram os chefes de gabinete do próprio ministro da Administração Interna, do secretário de estado adjunto da Administração Interna, da ministra da Saúde, representantes do COMETLIS/PSP, da DN/PSP, da DGS e da CML, foi desenhado, em plena colaboração e acordo entre todas as partes, o plano executado.

3.        Foram abordados vários cenários com as autoridades. Destes a possibilidade de comemoração exclusivamente do interior do estádio foi debatida em reunião no MAI a 07 de Maio e nenhuma das entidades acabou por aceitar a sugestão. Desde logo porque a mesma à data era contrária à posição e indicações, quer governamentais quer das autoridades sanitárias, relativamente à presença de público nas bancadas e ao estrito cumprimento das obrigações inerentes em vigor. E também porque foi considerada que ela oferecia condições de segurança, das pessoas envolvidas e da capacidade de controle, de maior dificuldade e com risco de provocação de desordem.

4.       Acresce que esta opção foi ainda descartada por dois motivos adicionais, e bem racionais e lógicos. O primeiro resultante do facto de que, sabida a dimensão da massa associativa do Clube e o contexto específico da conquista, a celebração jamais se concentraria em apenas um local da cidade. Ao que acumulava o conhecimento comum da inevitável preferência de local de deslocação dos adeptos ao Marquês de Pombal, local reconhecido publicamente e historicamente como referência das celebrações Leoninas. Facto aliás mencionado pelas próprias autoridades policiais presentes.

Segundo, porque o objectivo final constituía num esforço de dispersar a multidão e não a concentrar num único lugar.

5.       Os presentes na reunião concordaram que a presença de público no estádio não era uma solução para a questão de fundo. Por isso, importa também relembrar que no final dessa mesma reunião de 3 horas e meia, e dado o impasse verificado quanto à autorização ou não de festejos oficiais no exterior, o Sporting CP reforçou a todos os presentes que o Clube iniciou as diligências no sentido de receber indicações sobre possíveis festejos três semanas antes daquela data. E relembramos que foi apenas ao início da tarde de sábado (dia 08 de Maio), que o Sporting CP recebeu autorização “oficiosa” do MAI para preparação dos festejos, ou seja, do cortejo dos autocarros com os jogadores, iniciando-se aí os contactos entre o Sporting CP, a PSP e a CML para a operacionalização dos mesmos.

6.       Em virtude de tudo o referido anteriormente é proposto por outra entidade, que não o Sporting CP, a alternativa de criar um circuito pela cidade que fosse de encontro a este propósito, e não ao da concentração. Circuito que foi unanimemente aceite por todos os envolvidos.

7.       Esclarece ainda o Sporting CP que a iniciativa de realização de manifestação junto ao estádio do Sporting CP não teve qualquer participação do Clube, a qualquer nível.

8.       Reforçamos que o Sporting CP participou nas reuniões de forma colaborativa. Não é o Sporting CP que impõe regras à DGS, PSP, Ministério da Administração de Interna ou ao Governo. É por isso também lamentável que o ministro Eduardo Cabrita afirme que o Sporting CP não respondeu a qualquer pedido de esclarecimento feito pela IGAI. É lamentável e não corresponde à verdade.

9.       O Sporting CP recebeu um ofício do IGAI a 21 de Maio, sem indicação de prazo de resposta. A resposta do Sporting CP a este ofício data de 9 de Julho. No dia 1 de Junho de 2021, o IGAI contactou o Oficial de Ligação aos Adeptos (OLA) do Sporting CP. No dia 14 de Junho, o IGAI insistiu por uma resposta e a mesma foi enviada nesse dia por parte do nosso OLA.

10.   No dia 17 de Junho o Director de Segurança do Sporting CP prestou declarações durante 2 horas perante 3 inspectores, após convocatória do MAI no âmbito do dito inquérito.

11.   O relatório da IGAI deu entrada no MAI no dia 12 de Julho, que era a data apontada na própria comunicação social, para o encerramento do inquérito, não fazendo nota destas respostas do Clube. Ou seja, não só o Sporting CP prestou informação directamente, como o fez através do seu Director de Segurança e do seu OLA.

O Sporting CP está na posse de toda a informação e testemunhas que podem atestar cabalmente o supra referido, não aceitando de forma alguma que, mesmo não existindo intenção, a falta de conhecimento possa sobrepor-se à verdade dos factos, muito menos tendo em conta a responsabilidade inerente ao cargo de quem as profere, e em quem todos os cidadãos portugueses depositam a maior confiança e rigor."

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