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03/07/2021

Miguel Oliveira e o futuro: "Já fui abordado para renovar e para sair"

Piloto português falou ainda sobre as possibilidades de ser campeão de MotoGP esta temporada.


Aproveitando a pausa no Mundial do MotoGP,  o piloto português Miguel Oliveira convidou os jornalistas para uma conferência de imprensa em Almada, com vista para o Tejo, para passar em revista os resultados alcançados na primeira metade da época.

Num evento organizado pelo seu clube de fãs, o corredor da KTM fez um balanço positivo sobre as primeiras nove corridas da temporada, mas também projectou a segunda metade do ano, que arranca com o GP da Estíria, em Agosto.

Numa altura em que se sabe que Maverick Viñales vai deixar a Yamaha no final da temporada, Miguel Oliveira admitiu que já teve "abordagens", quer para continuar na KTM, quer para abandonar a equipa da construtora austríaca.

Abordagens: "No que toca ao mercado, nestes tempos modernos, os contratos vêm demonstrar que, em um ou dois casos, quando não existe vontade de uma das partes, em que o piloto não queira a equipa, ou a equipa não queira o piloto, esses mesmos contratos sejam quebrados. Hoje em dia, ter um contrato assinado, vale o que vale. Tenho o meu compromisso assumido com a KTM para dois anos e não vou voltar atrás com essa palavra. Naturalmente, a situação do [Maverick] Viñales [vai deixar a Yamaha no final da época] veio trazer algum nervosismo às conversações para o futuro, antecipando as mesmas. Também fui abordado nesse sentido, mas como disse, o meu foco está na minha equipa, que é uma grande equipa e com a qual acredito que poderei sei campeão do mundo. Tenho contrato e enquanto aqui estiver há muito trabalho para fazer."

Dificuldades no início da época: "Tivemos de nos adaptar a um novo pneu assimétrico que existe desde as primeiras corridas. A adaptação foi técnica, tivemos de repensar como iríamos transferir o peso para a parte dianteira da mota, gerando calor suficiente para que o pneu funcionasse. Neste momento no MotoGP, os pneus são dos componentes mais importantes que temos de acertar, logo é muito difícil encontrar aquela linha de equilíbrio para podermos trabalhar com todos os compostos que temos da Michelin."

Moto 3 com muitos acidentes. O que se pode alterar? "A realidade, que é dura, é que, na minha opinião, o nível neste momento dentro do pelotão da Moto3 não é muito alto. Temos assistido a grandes pilotos a passarem pela categoria, e aqueles que se destacam conseguiram mesmo destacar-se fisicamente da corrida. Vem-me à cabeça Jorge Martín e o Joan Mir, dois pilotos que actualmente estão na MotoGP. O que é certo é que é muito fácil levar uma Moto3 até ao limite. Uma solução seria aumentar o nível das motas, ou através do incremento da potência, ou fazendo uma alteração na largura dos pneus, para que aumente a dificuldade técnica de poder levar a Moto3 ao limite. Aí o piloto podia sobressair mais um pouco na corrida. Isso era com o intuito de separar os pilotos um bocadinho mais. Hoje em dia há uma grande agressividade entre todos os pilotos que leva a quedas e situações desagradáveis."

Quartararo ainda pode quebrar este ano? Se sim, ainda sonha com o título: "O Fabio é um piloto que é super forte e está numa forma incrível. Acredito que conseguiremos batalhar com ele, assim como conseguiremos batalhar com outros pilotos também. No que diz respeito às minhas metas, a resposta é sempre a do costume: apontamos sempre ao melhor, acreditamos no nosso trabalho e depois temos de concretizar um resultado que faça jus áquilo que acreditamos que somos capazes de fazer. Não corremos sozinhos, temos competidores e factores externos que podem influenciar o resultado. É focar-nos naquilo que podemos controlar, e dar o nosso melhor em pista, e enquanto equipa analisarmos bem onde nos colocar, quando e como."

Apoio do público português e do internacional: "O público tem um papel fundamental, e isso nota-se muito agora depois de termos passado um ano sem o ter antes de voltar outra vez. Para quem pensa que não sentimos o público porque só ouvimos as motas e estamos de capacete, é mentira. Temos uma atmosfera diferente quando há público nas bancadas. Na Áustria vamos ter, ao que tudo indica, a primeira experiência com casa cheia, e vamos poder voltar a sentir aquela adrenalina de ter o público nas bancadas. É sempre bonito vermos o apoio dos fãs. O reconhecimento internacional também tem sido motivo de me deixar orgulhoso, recebo muito apoio dos fãs quando estou fora de Portugal. É inevitável não falar dos portugueses que estão sempre nas corridas fora desta Península Ibérica. Vejo sempre bandeiras de Portugal por todo o mundo."

Fase decisiva após a pausa: "Todas as corridas são importantes, sobretudo quando são em fins de semana seguidos como é o caso da Áustria. É sempre importante ganhar nestas corridas, são oportunidades boas, sobretudo quando temos um passado que nos favorece, que foi o caso do ano anterior quando venci a corrida. Cada ano é uma situação particular e temos sempre de fazer melhor a cada corrida, mas não vamos para uma prova onde ganhámos no ano passado com metas inferiores, como é natural. Sempre com a humildade que temos e nos é reconhecida."

O que é essencial na cabeça para ser campeão: "O essencial é acreditar até ao final. Tenho vivido essa experiência pessoalmente de que acreditar é sempre preponderante. Acreditar quando se ganha é muito fácil. Quando não se ganha e se passa por momentos difíceis é um grande teste. Soa a cliché, mas tem-se demonstrado que a competência psicológica é preponderante no desporto, tem um peso muito grande como o peso técnico. O foco é sempre "eu vou conseguir”. Nada é garantido neste mundo da alta competição. É essencial caminharmos com o foco naquilo que queremos. Tenho uma equipa que acredita em mim como nunca tive, e isso dá-me a força e ajuda-me a manter o foco naquilo que é o objectivo maior."

Circuitos em que se sente mais à vontade e menos à vontade: "Os circuitos em que iremos estar menos à vontade são aqueles em que não competimos com a nossa moto versão 2020. Talvez Texas ou Tailândia possam criar dificuldades por falta de conhecimento e falta de experiência. A segunda metade da temporada tem circuitos mais amigáveis para a nossa mota e mesmo para o meu estilo de condução."

Piloto com mais pontos nas últimas corridas. Qual a expectativa para as próximas: "As últimas quatro pistas eram muito desfavoráveis para a KTM. A nível de resultados foram as pistas que tivemos piores resultados no passado. Em todas elas fui directamente para a Q2 e fizemos os resultados que sabemos. No que diz respeito ao futuro é preciso ter atenção. Já viemos a corridas que julgávamos ser favoritos e não fomos. É uma linha muito ténue onde temos de andar entre o estarmos confiantes e o não confiantes demasiado para podemos deixar escapar alguns detalhes que nos possam atrapalhar. Acredito que a segunda metade pode ser mais favorável para nós, mas isso não indica que se traduza em bons resultados. Esperamos que sim, mas é preciso continuar este trabalho."

 

 

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